Crise de ansiedade: o que fazer no momento
Uma crise de ansiedade é intensa, assustadora e passa. Costuma atingir o pico em cerca de dez minutos e ceder progressivamente depois.
Saber disso não encerra a crise, mas muda a experiência dela — porque boa parte do que a alimenta é o medo de que não vá acabar.
Antes de tudo: descartar o que não é
Sintomas de crise de ansiedade e de emergências cardíacas ou respiratórias se parecem. Aperto no peito, falta de ar, coração acelerado, formigamento, tontura.
Procure atendimento de urgência — 192 (SAMU) ou pronto-socorro — se:
- é a primeira vez que você sente isso
- a dor no peito irradia para braço, mandíbula ou costas
- há suor frio intenso, náusea ou desmaio
- você tem doença cardíaca conhecida ou fatores de risco
- os sintomas não cedem após 20 a 30 minutos
- há qualquer dúvida
Não é exagero ir ao pronto-socorro. Errar para o lado da cautela é a conduta certa aqui, e nenhum médico vai considerar isso perda de tempo.
O que ajuda durante a crise
Alongue a expiração. Não é "respirar fundo" — inspirar muito pode piorar. O que ajuda é soltar o ar devagar, mais devagar que a inspiração. Conte quatro para inspirar e seis a oito para soltar.
Ancore-se no ambiente. Nomeie mentalmente cinco coisas que você vê, quatro que ouve, três que pode tocar. A atenção sai do corpo e volta ao entorno.
Sente-se, se possível. Não é preciso lutar contra a crise nem fugir do lugar.
Diga a si mesmo o que está acontecendo. "Isto é uma crise de ansiedade. É muito desconfortável e vai passar." Reconhecer reduz a escalada.
Reduza estímulo. Menos luz, menos ruído, menos tela.
O que não ajuda
Hiperventilar. Respirar rápido e fundo intensifica tontura e formigamento.
Tentar fazer a crise parar imediatamente. A luta contra o sintoma costuma alimentá-lo.
Álcool. Alivia por minutos e piora depois.
Medicação de outra pessoa. Nunca.
Depois da crise
É comum ficar exausto por horas. Isso é esperado.
Vale anotar: onde você estava, o que aconteceu antes, quanto tempo durou, o que ajudou. Esse registro é informação clínica valiosa na consulta.
Quando procurar avaliação
Crises repetidas merecem avaliação médica — tanto para investigar causas clínicas que produzem quadros semelhantes (alterações de tireoide, arritmias, hipoglicemia, efeitos de medicações e cafeína em excesso) quanto para dimensionar o quadro ansioso e definir tratamento.
Um sinal específico de que a avaliação não deve esperar: quando você começa a evitar lugares ou situações por medo de ter outra crise. Esse padrão tende a se ampliar sozinho e responde bem a tratamento.
Se houver pensamentos de se machucar, procure ajuda imediatamente: 188 (CVV), gratuito e 24 horas, ou o pronto-socorro mais próximo.