Avaliação de saúde online

Quatorze questionários usados por médicos no mundo todo, organizados por assunto — saúde mental (ansiedade, humor, bem-estar, TDAH, traços do espectro autista, burnout, mania/hipomania, estresse pós-traumático), sono (insônia, sonolência, apneia), álcool e substâncias e dor. Gratuitos, sem cadastro, com o resultado explicado em linguagem clara.

Estes questionários são instrumentos de rastreamento: eles ajudam a perceber quando vale procurar ajuda. Não estabelecem diagnóstico.

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O que esta avaliação mede

Cada questionário olha para uma dimensão diferente e tem a própria escala. Por isso não existe aqui uma nota única de saúde: somar instrumentos distintos produziria um número sem significado clínico.

Saúde mental

GAD-7 — sintomas de ansiedade
Instrumento de rastreamento de sintomas de ansiedade. São sete perguntas sobre as duas últimas semanas, com pontuação de 0 a 21. A partir de 10 pontos, os autores recomendam avaliação clínica mais detalhada.
PHQ-9 — sintomas depressivos
Avalia a presença e a intensidade de sintomas depressivos. São nove perguntas, com pontuação de 0 a 27, que acompanham os critérios diagnósticos de depressão. Um dos itens investiga pensamentos de morte ou de se machucar — se ele for marcado, a ferramenta mostra orientação de ajuda antes de qualquer pontuação.
WHO-5 — bem-estar psicológico
Índice de Bem-Estar da Organização Mundial da Saúde. Cinco afirmações, convertidas numa escala de 0 a 100. Mede o que vai bem, e não o que dói: pontuação abaixo de 13 (na escala bruta de 0 a 25) indica bem-estar reduzido e justifica investigar melhor o humor.
ASRS-18 — rastreamento de TDAH em adultos
Versão completa (18 perguntas, divididas em Parte A e Parte B) da Adult ADHD Self-Report Scale (OMS/Harvard/NYU), sobre organização, atenção e inquietação nos últimos 6 meses. Só as 6 perguntas da Parte A entram no resultado — cada uma tem sua própria regra para contar como positiva; 4 positivas ou mais indicam rastreio positivo. As 12 perguntas da Parte B são complementares, não contam pontos, e aparecem no resumo para você levar à consulta.
AQ-50 — traços do espectro autista
Cinquenta afirmações sobre habilidade social, atenção a detalhes, comunicação e imaginação, pontuadas de 0 a 50. Um resultado elevado indica traços mais frequentes no espectro autista — não confirma nem descarta diagnóstico.
CBI — esgotamento (burnout)
Dezenove perguntas sobre o esgotamento na sua vida pessoal, no trabalho e no contato com clientes ou pacientes, cada dimensão pontuada de 0 a 100, separadamente. Não existe um número que defina diagnóstico — o que importa é a intensidade em cada dimensão.
MDQ — triagem para mania/hipomania
Lista de 13 sinais de humor muito acima do normal, mais duas perguntas sobre se vários deles aconteceram ao mesmo tempo e o quanto isso atrapalhou sua vida. A triagem só é positiva quando os três critérios se encontram. Triagem positiva não é diagnóstico de transtorno bipolar.
PCL-5 — sintomas de estresse pós-traumático
Vinte perguntas sobre o quanto sintomas de uma experiência estressante incomodaram no último mês, pontuadas de 0 a 80. O ponto de corte que sugere TEPT provável varia conforme a população — não é diagnóstico automático.

Sono

ISI — gravidade da insônia
Sete perguntas sobre dificuldade para dormir, manter o sono e o impacto no dia a dia, referentes às últimas duas semanas, pontuadas de 0 a 28.
Epworth (ESS) — sonolência diurna
Oito situações do dia a dia, avaliando a chance de cochilar em cada uma, pontuadas de 0 a 24. Mede a tendência a cochilar — não aponta a causa sozinha.
STOP-Bang — risco de apneia do sono
Oito perguntas de sim/não sobre ronco, cansaço, pressão alta e outros fatores, classificando o risco em baixo, intermediário ou alto. Triagem de risco, não diagnóstico — que depende de exame do sono.

Álcool e substâncias

AUDIT-C — consumo de álcool
Três perguntas sobre frequência e quantidade de consumo de álcool no último ano, pontuadas de 0 a 12. O ponto de corte que indica consumo de risco é diferente por sexo biológico.
DAST-10 — triagem para uso de drogas
Dez perguntas sobre o envolvimento com drogas (exceto álcool e tabaco) nos últimos 12 meses, pontuadas de 0 a 10. Indica intensidade de indícios, não diagnóstico.

Dor

Escala PEG — dor e interferência funcional
Três perguntas sobre intensidade da dor e sua interferência no prazer de viver e nas atividades na última semana, com resultado de 0 a 10 (média, não soma).

Como interpretar o resultado

A pontuação diz com que frequência certos sintomas apareceram em duas semanas. É pouco tempo e é pouca informação diante de uma vida inteira. Estes questionários são bons em levantar a mão e dizer "olhe para isto"; são ruins em explicar por quê.

Numa consulta, além da pontuação, entram elementos que nenhum questionário pergunta:

  • Há quanto tempo — começou há duas semanas ou já vem de anos?
  • O quanto atrapalha — o efeito real sobre sono, trabalho e relações.
  • Histórico pessoal e familiar — se já aconteceu antes, com você ou na família.
  • Contexto de vida — luto, mudança, desemprego e sobrecarga mudam a leitura de qualquer pontuação.
  • Condições clínicas — tireoide, anemia, apneia do sono e dor crônica produzem sintomas parecidos.
  • Medicamentos e substâncias — álcool, alguns remédios e a retirada deles influenciam humor e ansiedade.

O resultado é um diagnóstico?

Não. Um resultado alterado não significa necessariamente que exista um transtorno, assim como um resultado dentro da faixa esperada não exclui a necessidade de avaliação profissional. Instrumentos de rastreamento têm falsos positivos e falsos negativos — é da natureza deles, e é por isso que existem como triagem, e não como substituto da consulta.

Quando procurar ajuda profissional

  • Quando os sintomas não passam depois de algumas semanas, mesmo que sejam leves.
  • Quando o sono muda: você demora a pegar no sono, acorda de madrugada, ronca alto ou levanta cansado mesmo dormindo o suficiente.
  • Quando o trabalho ou o estudo ficam mais pesados do que costumavam ser.
  • Quando as pessoas próximas sentem o baque — mais irritação, mais discussão, mais afastamento.
  • Quando o consumo de álcool ou outras substâncias parece maior do que você gostaria.
  • Quando uma dor persiste e atrapalha suas atividades ou seu prazer de viver.
  • Quando você ou alguém próximo nota mudanças na memória ou na concentração.
  • Quando você está sofrendo, mesmo que ninguém em volta perceba.
  • Quando você olha e pensa: "eu não sou assim".

Em situação de risco imediato, não espere: ligue 188 — CVV (24 horas, gratuito), 192 — SAMU, ou vá ao pronto-socorro mais próximo. Este site não é um canal de urgência.

Perguntas frequentes

Este teste dá um diagnóstico?

Não. GAD-7, PHQ-9 e WHO-5 são instrumentos de rastreamento: eles medem com que frequência certos sintomas apareceram nas últimas duas semanas. Diagnóstico exige avaliação clínica, que considera duração, contexto de vida, histórico, exames e outras condições que podem produzir sintomas parecidos.

Qual a diferença entre rastreamento e diagnóstico?

Rastreamento identifica quem merece ser avaliado com mais atenção. Diagnóstico determina o que a pessoa tem. Um questionário de rastreamento pode apontar para alguém que está bem, e pode não apontar para alguém que precisa de ajuda — por isso ele orienta a conversa, mas não a substitui.

O que é o GAD-7?

O GAD-7 (Generalized Anxiety Disorder-7) é um questionário de sete perguntas que avalia a frequência de sintomas de ansiedade nas duas últimas semanas. A pontuação vai de 0 a 21. Foi publicado por Spitzer e colaboradores em 2006 e é um dos instrumentos de rastreamento mais usados em atenção primária no mundo.

O que é o PHQ-9?

O PHQ-9 (Patient Health Questionnaire-9) avalia sintomas depressivos por meio de nove perguntas, com pontuação de 0 a 27. Seus itens acompanham os critérios diagnósticos de depressão. Foi publicado por Kroenke, Spitzer e Williams em 2001.

O que é o WHO-5?

O WHO-5 é o Índice de Bem-Estar da Organização Mundial da Saúde. São cinco afirmações sobre como a pessoa tem se sentido, e o resultado é convertido para uma escala de 0 a 100. Diferente dos outros dois, ele mede a presença de bem-estar, e não a presença de sintomas.

Quais outros testes essa página oferece agora?

Além de GAD-7, PHQ-9 e WHO-5, a página reúne mais 11 questionários: ASRS-18, AQ-50, CBI, MDQ e PCL-5 (saúde mental); ISI, Epworth e STOP-Bang (sono); AUDIT-C (álcool); DAST-10 (substâncias); e Escala PEG (dor).

Minhas respostas ficam guardadas?

Não. As respostas existem apenas na memória do seu navegador enquanto a página está aberta e desaparecem quando você fecha ou recarrega. Não há cadastro, não há envio para servidor, não há cookie com suas respostas e o resultado não aparece no endereço da página.

Posso repetir o teste depois?

Sim. Repetir depois de algumas semanas ajuda a perceber se algo mudou — e essa variação costuma ser mais informativa do que um resultado isolado. Como nada é salvo, anote ou imprima o resultado se quiser comparar.

Quando devo procurar ajuda profissional?

Quando os sintomas persistem por semanas, quando atrapalham sono, trabalho ou relações, ou quando há sofrimento significativo — independentemente da pontuação. Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, procure ajuda hoje: ligue 188 (CVV, 24 horas, gratuito) ou 192 (SAMU).

Referências

  1. Spitzer RL, Kroenke K, Williams JBW, Löwe B. A brief measure for assessing generalized anxiety disorder: the GAD-7. Arch Intern Med. 2006;166(10):1092-7.
  2. Kroenke K, Spitzer RL, Williams JBW. The PHQ-9: validity of a brief depression severity measure. J Gen Intern Med. 2001;16(9):606-13.
  3. World Health Organization, Regional Office for Europe. Wellbeing measures in primary health care: the DepCare Project. Copenhagen, 1998.
  4. Topp CW, Østergaard SD, Søndergaard S, Bech P. The WHO-5 Well-Being Index: a systematic review of the literature. Psychother Psychosom. 2015;84(3):167-76.
  5. Moreno AL, DeSousa DA, Souza AMFLP, et al. Factor structure, reliability and item parameters of the Brazilian-Portuguese version of the GAD-7. Temas em Psicologia. 2016;24(1):367-76.
  6. Kessler RC, Adler L, Ames M, et al. The World Health Organization Adult ADHD Self-Report Scale (ASRS). Psychol Med. 2005;35(2):245-56.
  7. Baron-Cohen S, Wheelwright S, Skinner R, Martin J, Clubley E. The Autism-Spectrum Quotient (AQ). J Autism Dev Disord. 2001;31(1):5-17.
  8. Kristensen TS, Borritz M, Villadsen E, Christensen KB. The Copenhagen Burnout Inventory. Work & Stress. 2005;19(3):192-207.
  9. Hirschfeld RMA, Williams JBW, Spitzer RL, et al. Development and validation of a screening instrument for bipolar spectrum disorder: the Mood Disorder Questionnaire. Am J Psychiatry. 2000;157(11):1873-5.
  10. Weathers FW, Litz BT, Keane TM, Palmieri PA, Marx BP, Schnurr PP. The PTSD Checklist for DSM-5 (PCL-5). National Center for PTSD, 2013.
  11. Bastien CH, Vallières A, Morin CM. Validation of the Insomnia Severity Index as an outcome measure for insomnia research. Sleep Med. 2001;2(4):297-307.
  12. Johns MW. A new method for measuring daytime sleepiness: the Epworth Sleepiness Scale. Sleep. 1991;14(6):540-5.
  13. Chung F, Yegneswaran B, Liao P, et al. STOP questionnaire: a tool to screen patients for obstructive sleep apnea. Anesthesiology. 2008;108(5):812-21.
  14. Bush K, Kivlahan DR, McDonell MB, Fihn SD, Bradley KA. The AUDIT alcohol consumption questions (AUDIT-C). Arch Intern Med. 1998;158(16):1789-95.
  15. Skinner HA. The Drug Abuse Screening Test. Addict Behav. 1982;7(4):363-371.
  16. Krebs EE, Lorenz KA, Bair MJ, et al. Development and initial validation of the PEG. J Gen Intern Med. 2009;24(6):733-8.

GAD-7, PHQ-9, PCL-5, AUDIT-C, DAST-10 (metodologia) e PEG são de domínio público. WHO-5 e CBI são publicados como material de acesso aberto. ISI, ASRS-18, AQ-50, DAST-10, MDQ, ESS e STOP-Bang têm direitos autorais de terceiros — o consultório obteve as licenças de uso necessárias para estes sete instrumentos, usando as respectivas traduções brasileiras (oficiais/validadas para ISI, ASRS-18, AQ-50, ESS e STOP-Bang; tradução própria, revisada pelo consultório, para DAST-10 e MDQ).

Escrito e revisado por Dr. Luciano Vinícius Rubin Mortari, médico, CRM/RS 61699, formado pela Atitus Educação (Passo Fundo/RS), com atuação em medicina preventiva e telemedicina. Conteúdo revisado em agosto de 2026. Este material é informativo e não substitui avaliação individual.

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