Dr. Luciano Vinícius Rubin Mortari
CRM/RS 61699
Medicina Preventiva
Artigos Avaliação

GAD-7, PHQ-9 e WHO-5: o que cada escala mede

São três instrumentos de rastreamento amplamente usados na prática clínica e em pesquisa. Cada um responde a uma pergunta diferente — e nenhum deles faz diagnóstico.

GAD-7 — ansiedade

Sete perguntas sobre as duas últimas semanas, cada uma de 0 a 3 pontos. Total de 0 a 21.

Proposto por Spitzer e colaboradores em 2006, avalia sintomas de ansiedade generalizada: nervosismo, preocupação difícil de controlar, dificuldade de relaxar, inquietação, irritabilidade e medo de que algo ruim aconteça.

Pontuação Interpretação
0–4 mínima
5–9 leve
10–14 moderada
15–21 grave

O ponto de corte mais usado é 10 ou mais, que indica necessidade de avaliação mais detalhada. Nesse corte, os autores descreveram sensibilidade de 89% e especificidade de 82% para transtorno de ansiedade generalizada.

Limite importante: o GAD-7 foi desenhado para ansiedade generalizada. Não avalia adequadamente fobia social, transtorno de pânico ou estresse pós-traumático.

PHQ-9 — sintomas depressivos

Nove perguntas sobre as duas últimas semanas, também de 0 a 3 pontos cada. Avalia humor, interesse, sono, energia, apetite, concentração, autoimagem e lentificação.

É o instrumento mais usado no mundo para rastreio e acompanhamento de depressão em atenção primária.

Uma característica que merece atenção: o último item aborda pensamentos de morte ou de se machucar. Qualquer resposta positiva nesse item exige avaliação, independentemente da pontuação total.

WHO-5 — bem-estar

Cinco perguntas, desenvolvidas pela Organização Mundial da Saúde. Diferente dos outros dois, ele não mede sintoma — mede bem-estar: disposição, tranquilidade, energia, qualidade do descanso e interesse pela vida cotidiana.

É útil justamente por olhar para o outro lado. Uma pessoa pode ter pontuação baixa de ansiedade e ainda assim relatar bem-estar reduzido, e isso é informação clínica relevante.

O que essas escalas não fazem

Não diagnosticam. Diagnóstico depende de avaliação clínica, história, exame e exclusão de causas orgânicas — várias delas produzem sintomas idênticos: hipotireoidismo, anemia, apneia do sono, efeitos de medicações.

Não substituem consulta.

Não invalidam sofrimento. Pontuação baixa em quem está mal não significa que o problema não existe. Significa que aquele instrumento não capturou.

Onde as escalas realmente brilham

No acompanhamento. Um número isolado diz pouco. A comparação entre duas aplicações, com algumas semanas de intervalo, mostra objetivamente se algo mudou — informação que a memória não fornece com honestidade.

Por isso é comum reaplicá-las periodicamente durante o tratamento.

Responder gratuitamente

As três estão disponíveis na avaliação de saúde mental do site. Não exige cadastro, leva poucos minutos, e as respostas ficam apenas no seu navegador — não são salvas, transmitidas nem associadas a você.

O resultado é orientativo. Serve para organizar o que levar à consulta.

Se você está em sofrimento intenso ou pensando em se machucar, procure ajuda agora: 188 (CVV), gratuito e 24 horas, ou o pronto-socorro mais próximo.

Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica individual.

Referências 1. Spitzer RL, Kroenke K, Williams JBW, Löwe B. A brief measure for assessing generalized anxiety disorder: the GAD-7. Arch Intern Med. 2006;166(10):1092-1097.

Autoria: Dr. Luciano Vinícius Rubin Mortari — CRM/RS 61699 Publicado em: 19/08/2026 · Última revisão médica: 19/08/2026