GAD-7, PHQ-9 e WHO-5: o que cada escala mede
São três instrumentos de rastreamento amplamente usados na prática clínica e em pesquisa. Cada um responde a uma pergunta diferente — e nenhum deles faz diagnóstico.
GAD-7 — ansiedade
Sete perguntas sobre as duas últimas semanas, cada uma de 0 a 3 pontos. Total de 0 a 21.
Proposto por Spitzer e colaboradores em 2006, avalia sintomas de ansiedade generalizada: nervosismo, preocupação difícil de controlar, dificuldade de relaxar, inquietação, irritabilidade e medo de que algo ruim aconteça.
| Pontuação | Interpretação |
|---|---|
| 0–4 | mínima |
| 5–9 | leve |
| 10–14 | moderada |
| 15–21 | grave |
O ponto de corte mais usado é 10 ou mais, que indica necessidade de avaliação mais detalhada. Nesse corte, os autores descreveram sensibilidade de 89% e especificidade de 82% para transtorno de ansiedade generalizada.
Limite importante: o GAD-7 foi desenhado para ansiedade generalizada. Não avalia adequadamente fobia social, transtorno de pânico ou estresse pós-traumático.
PHQ-9 — sintomas depressivos
Nove perguntas sobre as duas últimas semanas, também de 0 a 3 pontos cada. Avalia humor, interesse, sono, energia, apetite, concentração, autoimagem e lentificação.
É o instrumento mais usado no mundo para rastreio e acompanhamento de depressão em atenção primária.
Uma característica que merece atenção: o último item aborda pensamentos de morte ou de se machucar. Qualquer resposta positiva nesse item exige avaliação, independentemente da pontuação total.
WHO-5 — bem-estar
Cinco perguntas, desenvolvidas pela Organização Mundial da Saúde. Diferente dos outros dois, ele não mede sintoma — mede bem-estar: disposição, tranquilidade, energia, qualidade do descanso e interesse pela vida cotidiana.
É útil justamente por olhar para o outro lado. Uma pessoa pode ter pontuação baixa de ansiedade e ainda assim relatar bem-estar reduzido, e isso é informação clínica relevante.
O que essas escalas não fazem
Não diagnosticam. Diagnóstico depende de avaliação clínica, história, exame e exclusão de causas orgânicas — várias delas produzem sintomas idênticos: hipotireoidismo, anemia, apneia do sono, efeitos de medicações.
Não substituem consulta.
Não invalidam sofrimento. Pontuação baixa em quem está mal não significa que o problema não existe. Significa que aquele instrumento não capturou.
Onde as escalas realmente brilham
No acompanhamento. Um número isolado diz pouco. A comparação entre duas aplicações, com algumas semanas de intervalo, mostra objetivamente se algo mudou — informação que a memória não fornece com honestidade.
Por isso é comum reaplicá-las periodicamente durante o tratamento.
Responder gratuitamente
As três estão disponíveis na avaliação de saúde mental do site. Não exige cadastro, leva poucos minutos, e as respostas ficam apenas no seu navegador — não são salvas, transmitidas nem associadas a você.
O resultado é orientativo. Serve para organizar o que levar à consulta.
Se você está em sofrimento intenso ou pensando em se machucar, procure ajuda agora: 188 (CVV), gratuito e 24 horas, ou o pronto-socorro mais próximo.