Dr. Luciano Vinícius Rubin Mortari
CRM/RS 61699
Medicina Preventiva
Artigos Avaliação

Vacinas do adulto: quais costumam estar em atraso

Vacinação é tratada como assunto de criança. Na avaliação preventiva do adulto, é um dos itens mais frequentemente desatualizados — e um dos de melhor relação custo-benefício.

Por que passa despercebido

Três motivos, sempre os mesmos: a caderneta se perdeu há anos, ninguém pergunta na consulta, e existe a suposição de que "vacina de criança dura para sempre".

Algumas duram. Outras exigem reforço periódico. E há vacinas indicadas especificamente para a vida adulta.

As que mais costumam estar em atraso

Dupla adulto (difteria e tétano). Precisa de reforço periódico. É provavelmente a mais atrasada da lista. Também tem indicação específica em ferimentos, conforme o histórico vacinal.

Hepatite B. Muitos adultos nunca completaram o esquema. Está disponível no SUS para todas as idades.

Tríplice viral (sarampo, caxumba, rubéola). A situação depende do ano de nascimento e do histórico. O sarampo voltou a circular em vários países, o que tornou a checagem relevante de novo.

Influenza. Anual, porque as cepas circulantes mudam.

Febre amarela. Indicação conforme área de residência e viagem.

HPV. As faixas etárias e indicações no SUS foram ampliadas ao longo dos anos — vale checar a regra vigente.

Pneumocócica, herpes-zóster, dTpa na gestação, meningocócica têm indicações específicas por idade, condição clínica ou situação.

As faixas etárias, esquemas e disponibilidade no SUS mudam com atualizações do Programa Nacional de Imunizações. Confirme o calendário vigente com seu médico ou na Unidade Básica de Saúde — não tome como base uma lista encontrada na internet, inclusive esta.

Condições que mudam a indicação

Algumas situações alteram o que é recomendado e quando:

  • Diabetes, doença renal, cardíaca ou pulmonar crônica
  • Imunossupressão de qualquer causa
  • Gestação
  • Profissionais de saúde
  • Viagens internacionais
  • Contato domiciliar com pessoas de risco

Perdi minha caderneta

Situação comum, e resolvível. Alternativas: consultar o registro na Unidade Básica de Saúde onde você se vacinou, verificar o ConecteSUS, ou — quando não há registro recuperável — considerar o esquema como não comprovado e reiniciar conforme orientação médica.

Reiniciar um esquema não comprovado é seguro e é a conduta usual.

O que a consulta online resolve

Resolve: revisar seu histórico vacinal, identificar o que provavelmente está em atraso, verificar quais indicações se aplicam ao seu perfil e emitir a orientação por escrito.

Não resolve: a aplicação, que é presencial — na UBS, gratuitamente, ou em clínica de vacinação.

Leve sua caderneta (ou uma foto dela) para a consulta. É um dos itens que mais rende em uma avaliação preventiva.

Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica individual. Calendários vacinais são atualizados periodicamente.

Leia também: O que é medicina preventiva, na prática · Quando fazer um check-up preventivo

Autoria: Dr. Luciano Vinícius Rubin Mortari — CRM/RS 61699 Publicado em: 19/08/2026 · Última revisão médica: 19/08/2026